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1881–1937

MARINHA

Gustavo de Paula Teixeira

Asas soltas à luz que os amplos céus alaga, Voam garças reais de alvinitentes plumas. A aragem que palpita, acariciando a vaga, Murmurinha de leve entre frouxéis de espumas.

Arrogantes galeões de velas cor das brumas Manobram, mar a dentro, em rumo de áurea plaga. Bóiam conchas de opala e de orlas tírias: umas De voz mansa de idílio, outras de voz pressaga.

Um mareante senil, que o estranho clima tosta, Contempla a soluçar, de um penhasco da costa, Os espúmeos lençóis que a mareta desfralda. E no ocaso, o diadema em chispas agitando,

Expira o sol, num beijo olímpico arrancando Aos glaucos vagalhões coriscos de esmeralda...

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