Asas soltas à luz que os amplos céus alaga,
Voam garças reais de alvinitentes plumas.
A aragem que palpita, acariciando a vaga,
Murmurinha de leve entre frouxéis de espumas.
Arrogantes galeões de velas cor das brumas
Manobram, mar a dentro, em rumo de áurea plaga.
Bóiam conchas de opala e de orlas tírias: umas
De voz mansa de idílio, outras de voz pressaga.
Um mareante senil, que o estranho clima tosta,
Contempla a soluçar, de um penhasco da costa,
Os espúmeos lençóis que a mareta desfralda.
E no ocaso, o diadema em chispas agitando,
Expira o sol, num beijo olímpico arrancando
Aos glaucos vagalhões coriscos de esmeralda...