Como Vênus pisando a espuma de onda em onda,
Deixa a Aurora a fofez do leito de sultana.
O arvoredo farfalha. Em pranto, áurea e redonda,
Se oculta a derradeira estrela há pouco ufana.
Em grupos mugem bois ao longo da savana;
Sobe o fumo da choça; um melro as ares sonda,
No arroio, que por entre as árvores dimana,
Remam gansos, de leve, em silenciosa ronda.
As corujas ferais, em agoureiras levas,
Debatem-se na luz em procura das trevas.
Do rebanho que bale ouve-se a voz morfanha.
E a Aurora, colorindo as nuvens ondulosas,
Desce, lenta, a sorrir, a encosta da montanha,
Com o estema de chama e a túnica de rosas...