Noite. Na escuridão soturna do meu quarto,
Penso em ti, meu amor! Lá fora, o furacão
Urra como um ciclope e açoita o cedro que, harto
E farfalhante, agita a copa na amplidão.
Sem ilusões, da vida há muitos anos farto,
Sinto que mais me pesa agora o coração!
Cheio de angústia, à porta a fronte quase parto
Quando estoura no espaço a bomba de um trovão.
Contra a janela, em fúria, investe a ventania
Bramindo como um leão nas vascas da agonia,
Raios batem-se em duelo... Ouço lamentos... ais...
Que noite fria!... E eu só, chorando num delírio
Por esse corpo em flor, mais branco do que um lírio,
Que não apertarei nos braços nunca mais!