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1881–1937

HORAS NEGRAS

Gustavo de Paula Teixeira

Noite. Na escuridão soturna do meu quarto, Penso em ti, meu amor! Lá fora, o furacão Urra como um ciclope e açoita o cedro que, harto E farfalhante, agita a copa na amplidão.

Sem ilusões, da vida há muitos anos farto, Sinto que mais me pesa agora o coração! Cheio de angústia, à porta a fronte quase parto Quando estoura no espaço a bomba de um trovão.

Contra a janela, em fúria, investe a ventania Bramindo como um leão nas vascas da agonia, Raios batem-se em duelo... Ouço lamentos... ais... Que noite fria!... E eu só, chorando num delírio

Por esse corpo em flor, mais branco do que um lírio, Que não apertarei nos braços nunca mais!

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