Doze pancadas o relógio bate
— Um rosário de contas de lamentos! —
Depois silêncio. Estão dormindo os ventos
Como titãs cansados do combate.
Sob o livor da lâmpada, que abate
A dúbia chama, tenho pensamentos
Sinistros como os corvos agourentos.
No peito a dor enterra-me o acicate!
Debalde tento conciliar o sono
Para atenuar o horror desde abandono
Em que sucumbo num montão de espinhos!
Abro a janela. Inda tão longe a aurora!
Tudo repousa... Apenas, vale a fora,
Cantam as fontes embalando os ninhos...