Do bloco de Carrara, alvo e sem jaça, a arranco
A golpes de cinzel! Ei-la de pé — perna
Sustendo o torso grego, a mão no seio branco —
Como Vênus pompeando a formosura eterna!
Em meus lábios fulgura um claro riso franco!
Dei à estátua com o sangue a vida sempiterna,
E serpentinamente a cingem, flanco a flanco,
Flóreas veias azuis como uma sombra interna.
Na pupila uma flama, áurea e vivaz, palpita...
Presa a um raio de luz, a minh’alma gravita
Na divina atração do mármore perfeito!
Estático me ajoelho: e, súbito, num choro,
A Galatéia acorda, e o amor, que lhe infla o peito,
Pelos olhos rebenta em catadupas de ouro!