Adeus! Já não és minha e me não amas! Nunca
Em tua alma floriu um sentimento nobre!
A dor de te perder a própria voz me trunca,
Mas, vai! deixa que a nau sem bússola soçobre!
Meu coração, que o teu olhar de espinhos junca,
Se estorce e plange como um sino triste dobre.
Do meu castelo azul fizeste uma espelunca
De um asceta infeliz, de um miserando pobre!
Vai, andorinha!... Chega entre boreais rajadas
O inverno que faz voar os pássaros dispersos,
E veste de neblina as loiras alvoradas.
Mas, embora de mim e do meu pranto mofes,
Hás de sempre escutar o choro dos meus versos,
Há de seguir-te sempre um séquito de estrofes!