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1881–1937

CONFISSÃO

Gustavo de Paula Teixeira

Já que não posso mais trazer oculto nalma Este amor, que há de ser a cruz do meu martírio, E que eu, tentando em vão mostrar firmeza e calma, Revelo em cada olhar mais triste do que um círio,

Perdoa, meu amor, perdoa! Embora a palma Não logre de alcançar a tua mão que é um lírio, Hei de sempre abençoar teu riso que me ensalma! Hei de sempre beijar-te a sombra com delírio!

Cobre-me a palidez do mesto Nazareno Quando, silêncio impondo ao coração cativo, Contemplo o teu perfil de castelã do Reno! Bem quisera esconder o amor que me consome,

Mas como? se a anunciá-la a todo instante eu vivo Pelo tremor da voz ao murmurar teu nome!

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