Já que não posso mais trazer oculto nalma
Este amor, que há de ser a cruz do meu martírio,
E que eu, tentando em vão mostrar firmeza e calma,
Revelo em cada olhar mais triste do que um círio,
Perdoa, meu amor, perdoa! Embora a palma
Não logre de alcançar a tua mão que é um lírio,
Hei de sempre abençoar teu riso que me ensalma!
Hei de sempre beijar-te a sombra com delírio!
Cobre-me a palidez do mesto Nazareno
Quando, silêncio impondo ao coração cativo,
Contemplo o teu perfil de castelã do Reno!
Bem quisera esconder o amor que me consome,
Mas como? se a anunciá-la a todo instante eu vivo
Pelo tremor da voz ao murmurar teu nome!