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1881–1937

CÉU DESERTO

Gustavo de Paula Teixeira

Percorro toda a habitação vazia: A sala azul, os amplos corredores Onde, nuns lábios cheios de ambrosia, Do amor colhi as mais preciosas flores!

A imagem dela — sombra fugidia Que julgo ouvir, falando-me de amores, — Atirando-me um beijo que inebria, Se desvanece em espirais de olores...

Levaram tudo: os quadros, os espelhos E a cinzelada lâmpada custosa Que junto dela já me viu de joelhos. Só eu fiquei neste ermo céu fechado

Sofrendo o horror da Plaga Tenebrosa, Onde já fora bem-aventurado!

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CÉU DESERTO · Gustavo de Paula Teixeira · Poetry Cove