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1881–1937

AS ESTRELAS

Gustavo de Paula Teixeira

Dentro da noite, haurindo o aroma agreste Dos flóreos tufos, dos capões de rosas, Contemplamos a abóbada celeste Pontilhada de luzes buliçosas.

E a minha amada, descobrindo o colo, — Região boreal de gélida brancura, — A mirar a amplidão de pólo a pólo: “Quantas estrelas tem o céu!”, murmura.

Causa-lhe assombro o número de opalas Que Deus semeia pelo azul! E fica, Longo tempo, no intuito de contá-las, Olhando o espaço que o oiro astral salpica.

Contar estrelas, que loucura! Abete-a A viva luz! E em rápidos instantes. Sua alma, voando para a Via-Láctea, Se perde numa poeira de diamantes...

E não se lembra a sílfide que adoro Que não são as estrelas nem metade Das cristalinas lágrimas que choro No silêncio das horas de saudade!

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