Dentro da noite, haurindo o aroma agreste
Dos flóreos tufos, dos capões de rosas,
Contemplamos a abóbada celeste
Pontilhada de luzes buliçosas.
E a minha amada, descobrindo o colo,
— Região boreal de gélida brancura, —
A mirar a amplidão de pólo a pólo:
“Quantas estrelas tem o céu!”, murmura.
Causa-lhe assombro o número de opalas
Que Deus semeia pelo azul! E fica,
Longo tempo, no intuito de contá-las,
Olhando o espaço que o oiro astral salpica.
Contar estrelas, que loucura! Abete-a
A viva luz! E em rápidos instantes.
Sua alma, voando para a Via-Láctea,
Se perde numa poeira de diamantes...
E não se lembra a sílfide que adoro
Que não são as estrelas nem metade
Das cristalinas lágrimas que choro
No silêncio das horas de saudade!