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1881–1937

AO VIR DA NOITE...

Gustavo de Paula Teixeira

Ao vir da noite, que se ajoelha e chora, Ao longe plange a angústia de um violino... Minh’alma lembra o tempo azul de outrora Enquanto a fronte pálida reclino.

Ao longe plange a angústia de um violino: Põe um tremor de lágrimas na lua. Enquanto a fronte pálida reclino, A saudade em minh’aima se insinua.

Põe um tremor de lágrimas na lua A tristeza elegíaca das notas. A saudade em minh’alma se insinua Como um perfume de épocas remotas.

A tristeza elegíaca das notas Enche de pranto as pálpebras dos lírios, Como um perfume de épocas remotas, Evoca sonhos mortos e delírios.

Enche de pranto as pálpebras dos lírios Aquela queixa que compunge as flores. Evoca sonhos mortos e delírios E os meus fatais e trágicos amores!

Aquela queixa, que compunge as flores, Faz sangrar as mais velhas cicatrizes! E os meus fatais e trágicos amores No meu peito mergulham as raízes!

Faz sangrar as mais velhas cicatrizes O áureo enxame de abelhas melodiosas. No meu peito mergulham as raízes Roseiras más, que nunca deram rosas!

O áureo enxame de abelhas melodiosas Acorda a paz da terra adormecida. Roseiras más, que nunca deram rosas, Enchem de espinhos toda a minha vida!

Acorda a paz da terra adormecida Aquela ardente música de pranto. Enchem de espinhos toda a minha vida As lembranças daquela que amo tanto!

Aquela ardente música de pranto Transporta as almas à mansão celeste. As lembranças daquela que amo tanto Palpitam como a sombra de um cipreste!

Transporta as almas à mansão celeste Aquele choro cada vez mais triste... Palpitam como a sombra de um cipreste As lágrimas do amor maior que existe!

Aquele choro cada vez mais triste E como o adeus de um náufrago entre escolhos. As lágrimas do amor maior que existe Vão subindo em torrentes aos meus olhos.

É como o adeus de um náufrago entre escolhos, Essa canção que suplica murmura, Vão subindo em torrentes aos meus olhos Os prantos de uma longa desventura.

Essa canção, que suplicas murmura, Lembra um terceto fúnebre de Dante. Os prantos de uma longa desventura Descem a fio, queimam-me o semblante.

Lembra um terceto fúnebre de Dante Aquele grito de uma dor sem calma. Descem a fio, queimam-me o semblante: As lágrimas irrompem de minh’alma.

Aquele grito de uma dor sem calma Misericórdia ou beijo extremo implora... As lágrimas irrompem de minh’alma, Ao vir da noite, que se ajoelha e chora...

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