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1881–1937

ÂNGELUS

Gustavo de Paula Teixeira

Quando Vésper irradia, Num lento rumor de prece. Tange o sino: — Ave Maria No azul, a astral ardentia

De súbito resplandece Quando Vésper irradia. Por detrás da serrania, Rezando, a lua aparece...

Tange o sino: — Ave Maria Ao sopro da aragem fria, Ondula, oirejando, a messe, Quando Vésper irradia.

Cada estrela um beijo envia. Depois que o ninho adormece, Tange o sino: — Ave Maria! Dentro da sombra macia.

Sonhando, a flor estremece Quando Vésper irradia. Num tom de voz que inebria, Que de tão doce enternece,

Tange o sino: — Ave Maria! Numa suave nostalgia, A alma feliz se embevece Quando Vésper irradia.

Um véu de melancolia, Tecido por anjos, desce... Tange o sino: — Ave Maria! Cheiram flores na agonia...

A tarde é morta. Anoitece... Quando Vésper irradia Tange o sino: — Ave Maria!

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