Quando Vésper irradia,
Num lento rumor de prece.
Tange o sino: — Ave Maria
No azul, a astral ardentia
De súbito resplandece
Quando Vésper irradia.
Por detrás da serrania,
Rezando, a lua aparece...
Tange o sino: — Ave Maria
Ao sopro da aragem fria,
Ondula, oirejando, a messe,
Quando Vésper irradia.
Cada estrela um beijo envia.
Depois que o ninho adormece,
Tange o sino: — Ave Maria!
Dentro da sombra macia.
Sonhando, a flor estremece
Quando Vésper irradia.
Num tom de voz que inebria,
Que de tão doce enternece,
Tange o sino: — Ave Maria!
Numa suave nostalgia,
A alma feliz se embevece
Quando Vésper irradia.
Um véu de melancolia,
Tecido por anjos, desce...
Tange o sino: — Ave Maria!
Cheiram flores na agonia...
A tarde é morta. Anoitece...
Quando Vésper irradia
Tange o sino: — Ave Maria!