Entre oblongos calhaus, torcicolando,
Flui a nívea torrente serpentina,
Ora beijando os pés de uma colina,
Ora a mole dos montes contornando.
Aqui, sobre ela uma árvore se inclina,
O cabelo de folhas ensopando,
Além, das borboletas o áureo bando
Brinca esfrolando o azul da tremulina.
Dá de beber a pássaros e flores.
E docemente, em líricos rumores,
Some-se no horizonte que se esfuma.
Assim, cortando gândaras e searas,
Foge, levando à flor das águas claras
Um diadema de pérolas de espuma...