Sob o espesso docel de folhas de esmeralda,
Do sonho do botão acorda, abre a corola,
E uma lágrima ardente as pálpebras lhe escalda
Vendo a triste penumbra em que o destino a isola.
O sol, que um raio d’oiro e purpura desfralda,
Tênue raio lhe envia, às vezes, por esmola;
Se sai da sombra é presa em fúnebre grinalda
Onde a ultima ilusão no aroma se lhe evola.
Fugaz como o corisco, o beija-flor de leve
Roça o tufo sem ver a lírica violeta,
Que guarda a candidez de um flóculo de neve.
As rosas com seu régio orgulho a martirizam....
Por isso é roxa como o seio de Julieta,
Como as chagas de amor que nunca cicatrizam!