Quase noite e não vem! Que tarde longa e triste!
Desde que a aurora abriu o róseo cortinado
Espero ao longe ver surgir teu vulto amado.
De azul como no dia infausto em que partiste.
Desce a noite. E não vens! De dúvida alanceado,
Estremeço ao pensar que, certo, me iludiste!
E dentro do meu peito, onde um altar existe,
Plange um sino feral em dobres a finado...
Crescente inquietação me agita e me tortura!
Em vez de um beijo, em vez da edênica ventura,
Esta febre, esta angústia, este queimor de brasas!
E enquanto a voz do inverno ulula à minha porta,
No silêncio desta alma, onde a esperança é morta,
O corvo do presságio abre as sinistras asas!