No exílio deste vale, onde me entumbo
Sob o velário das neblinas frias,
Meu coração é o pêndulo de chumbo
Que marca as horas destes longos dias.
Morro de tédio, de pesar sucumbo!
O vento, que enche as solidões sombrias,
Vai propagando o fúnebre retumbo
Pelas furnas e alpestres serranias.
Sol! Tu que tinges de carmim as rosas
E para a gloria da alvorada existes,
Rasga nas brumas amplidões radiosas!
Quero escalar os píncaros dos montes
Porque meus olhos vão ficando tristes
De saudade dos amplos horizontes!