Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo,
Que a gente arrasta como brônzea carga,
Maldita sejas! Teu olhar profundo
É o pesadelo desta vida amarga!
Foge de mim, fantasma tremebundo!
Arranca-me este espículo da ilharga!
O rosto em vão de lágrimas inundo:
A tua mão de espinhos não me larga!
Por castelos, choupanas e casebres,
Bebendo sangue e produzindo febres,
Passas deixando o rastro nauseabundo.
Os corações te amaldiçoam... Quando
Há de ter fim o teu reinado infando,
Ó Dor, ó velha imperatriz do mundo?