É oriunda do Mar Jônio. Entre as areias de ouro
Da praia, — onde, espumando, a vaga de safira
Guirlandas de corais e algas em feixe atira, —
Achei-a e guardo-a como o avaro o seu tesouro.
Seu murmúrio parece ora o rumor de um choro,
Ora o mesto planger de uma queixosa lira!
Entre as valvas, sangrando, um coração suspira
Pela amplitude azul do equóreo sumidouro...
Ouvindo-a, eu me transporto à líquida morada
Das nereidas, e vejo Anfitrite puxada
Na grande concha irial de fúlgidos matizes;
Vejo delfins, tritões, ninfas de pomas cheias,
E escuto a doce voz das últimas sereias
E o profundo clamor dos nautas infelizes!