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1881–1937

A ÁGUIA

Gustavo de Paula Teixeira

Asas de ponta a ponta abertas no Infinito, Quase roçando o Azul, já das estrelas rente, A águia, no surto audaz, como os titãs do mito, Tenta escalar o Céu, fitando o sol de frente.

E, sussurrando, solta o belicoso grito, Que é a nota de um clarim vibrando heroicamente, Quando, vermelho, o sol, o leão flamicrinito, Rola, sangrando luz, no boqueirão do Poente.

No ventre dos bulcões, onde se apinham raios, Crava as garras de ferro e entre as nuvens marinha, Indo as asas fechar nos cimos himalaios. E, acima do homem vil, que anda a gemer de rastros,

No pináculo dorme o sono de rainha, Tendo por trono — a Terra, e por diadema — os astros!

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