Asas de ponta a ponta abertas no Infinito,
Quase roçando o Azul, já das estrelas rente,
A águia, no surto audaz, como os titãs do mito,
Tenta escalar o Céu, fitando o sol de frente.
E, sussurrando, solta o belicoso grito,
Que é a nota de um clarim vibrando heroicamente,
Quando, vermelho, o sol, o leão flamicrinito,
Rola, sangrando luz, no boqueirão do Poente.
No ventre dos bulcões, onde se apinham raios,
Crava as garras de ferro e entre as nuvens marinha,
Indo as asas fechar nos cimos himalaios.
E, acima do homem vil, que anda a gemer de rastros,
No pináculo dorme o sono de rainha,
Tendo por trono — a Terra, e por diadema — os astros!