Skip to content
1636–1696

VEM, QUE ESTOU PARA TAS DAR.

Gregório de Matos Guerra

Dá-mas, Mana, que tas dou, que tas estou esperando, mete-me a língua na boca, enquanto tas estou dando.

Vem, que estou para tas dar, chega-te, vida, que morro, necessito de socorro, não me queiras acabar:

estou já para estalar, não me ajudas, por quem sou? que para tas dar estou: pois que é isto? tanto tardas?

acaba, vida, que aguardas? Dá-mas, Mana, que tas dou. Meu coração, que me abraso, morro com tão lindo gosto,

que em perigo me tem posto gosto de tão lindo vaso: vê, que se vem passo a passo estas lágrimas chegando:

dize, meu bem, para quando, hão de ser? olha, que vem: acaba, dá-mas, meu bem, Que tas estou esperando.

Acrescenta o excessivo, para o gosto acrescentar, não queiras, vida, matar, a quem morre, estando vivo:

e se em modo tão esquivo o gosto sempre se apouca, por que seja igual a troca, que fazemos neste caso,

pois tens o membro no vaso, Mete-me a língua na boca. Hás, pois, vida, de advertir que em modo tão sublimado

se acha menos desmaiado, quem mais se deixa dormir: para mais tempo sentir, o que estamos trabalhando,

quisera, vida, que quando me canso para tas dar, nunca quisera acabar, Enquanto tas estou dando.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
VEM, QUE ESTOU PARA TAS DAR. · Gregório de Matos Guerra · Poetry Cove