Skip to content
1636–1696

SERVIU LUÍS A ISABEL

Gregório de Matos Guerra

Amar Luís a Maria, amaria não é amar logo como pode estar num tempo amar, e amaria.

Serviu Luís a Isabel Por prêmio de um favor só mais tempo do que Jacó serviu à bela Raquel:

e porque Isabel infiel o enganou de dia em dia, em pena de aleivosia em Maria o empreguei,

e então lhe certifiquei Amar Luís a Maria. Deixei-a tão persuadida, quanto ela é presuntuosa,

que o presumir de formosa persuade o ser querida: porém como é entendida, e em toda a arte de amar

sabe mui bem conjugar, disse, tomando-me a mão, que em boa conjugação Amaria não é amar.

Que amaria é imperfeito, e perfeito o ter amado, e a um presente cuidado não serve o plus-quão-perfeito:

vi eu a Moça de jeito, que me pus pela quietar nesta forma a conjugar “Amar Luís, e amaria

não está em filosofia”, Logo como pode estar? Este aparente argumento, e sutil proposição

não só tirou a questão, mas deu-lhe contentamento: firme enfim ao fundamento da minha sofisteria

diz, que a boa astronomia tem uns pontos tão sutis, que pode estar em Luís Num tempo amar, e amaria.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
SERVIU LUÍS A ISABEL · Gregório de Matos Guerra · Poetry Cove