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1636–1696

SENHOR SOLDADO DONZELO.

Gregório de Matos Guerra

Senhor soldado donzelo a quem custa mais fadiga dormir uma rapariga do que ganhar um castelo:

se o pistolete é de ourelo e anda sempre desarmado crede que sois mau soldado porque na venérea classe

vai pouco que a velha entrasse se o moço tivesse entrado. Suponho que o neto entrasse e viesse logo a avó

tereis vós o vosso nó e a velha que o desatasse: se acaso vos assaltasse na vossa cama, ou retiro

todo um exército em giro e armado lhe aparecêreis, vós algum risco corrêreis, mas daríeis vosso tiro.

Assim mesmo conjeturo nos rencontros de Cupido trazeis vós o perro enguido que o tiro eu vo-lo asseguro:

se vós o tivéreis duro e fôreis fazendo ilhós nas moças, que estavam sós à fé que o não taparia

Avó, nem menos a Tia, dez Tias, nem trinta Avós. Vós conversando, ela rindo se perde do logro a era:

que importa que a Avó viera se vós vos tivéreis vindo? Como estais sempre cumprindo com cerimônias cruéis,

por isso sois, e sereis (perdendo contentamentos) um homem de cumprimentos porém nunca cumprireis.

Dizem, que quem perde o mês, contudo não perde o ano, mas neste caso magano perde o ano quem perde a vez:

já vós, por seres má rês, perdestes noutra hora a sorva: sempre achais, quem vos estorva, e perdestes, a ocasião,

sem que houvesse velha então, que vos mijasse na escorva. Amigo, a pura verdade é que a velha do socrócio

não desfez este negócio; bem o faz a mocidade: culpai vossa frialdade que a velha não fez o dano,

e senão, por desengano, e contra o mal das Avós tomai cantárida em pós ou metei-vos franciscano.

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