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1636–1696

SEGUNDA IMPACIENCIA DO POETA.

Gregório de Matos Guerra

Cresce o desejo, falta o sofrimento, Sofrendo morro, morro desejando, Por uma, e outra parte estou penando Sem poder dar alívio a meu tormento.

Se quero declarar meu pensamento, Está-me um gesto grave acobardando, E tenho por melhor morrer calando, Que fiar-me de um néscio atrevimento.

Quem pertende alcançar, espera, e cala Porque quem temerário se abalança, Muitas vezes o amor o desiguala. Pois se aquele, que espera sempre alcança,

Quero ter por melhor morrer sem fala, Que falando, peder toda esperança.

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