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1636–1696

RETRATO DO MESMO CLERIGO.

Gregório de Matos Guerra

Pois me enfada o teu feitio, quero, Frisão, neste dia retratar-te em quatro versos as maravi, maravi, maravilhas.

Ouçam, olhem, venham, venham, verão o Frisão, da Bahia, que está retratado

às maravi, maravi, maravilhas. A cara é um fardo de arroz, que por larga, e por comprida é ração de um Elefante

vindo da Índia. Ouçam, olhem, venham, venham, verão o Frisão da Bahia,

que está retratado às maravi, maravi, maravilhas A boca desempenada é a ponte de Coimbra,

onde não entram, nem saem, mais que mentiras. Ouçam, olhem, venham, venham, verão

o Frisão da Bahia que está retratado às maravi, maravi, maravilhas. Não é a língua de vaca

por maldizente, e maldita, mas pelo muito, que corta de Tiriricas. Ouçam, olhem,

venham, venham, verão o Frisão da Bahia, que está retratado às maravi, maravi, maravilhas.

No corpanzil torreão a natureza prevista formou a fresta da boca para guarita.

Ouçam, olhem, venham, venham, verão o Frisão da Bahia, que está retratado

às maravi, maravi, maravilhas. Quisera as mãos comparar-lhe às do Gigante Golias, se as do Gigante não foram

tão pequeninas. Ouçam, olhem, venham, venham, verão o Frisão da Bahia,

que está retratado às maravi, maravi, maravilhas Os ossos de cada pé encher podem de relíquias

para toda a cristandade as sacristias. Ouçam, olhem, venham, venham, verão

o Frisão da Bahia, que está retratado às maravi, maravi, maravilhas. É grande conimbricense,

sem jamais pôr pé em Coimbra, e sendo ignorante sabe mais que galinha. Ouçam, olhem,

venham, venham, verão o Frisão da Bahia, que está retratado às maravi, maravi, maravilhas.

Como na lei de Mafoma não se argumenta, e se briga ele, que não argumenta, tudo porfia.

Ouçam, olhem, venham, venham, verão o Frisão da Bahia, que está retratado

às maravi, maravi, maravilhas.

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