Quem me engrandece por flor,
muitos dias há, que vi,
sem fazer caso da neve
nem me dar cuidado Abril.
Eu sou flor, que fala, e zomba,
e flor que também se ri
já do acendido do nácar,
já do mais claro jesmim.
Cá na esfera do meu peito
hoje só sabem luzir
as finezas raio a raio,
o fino rubi a rubi.
Vós fostes, que a flor pusestes
no peito; e quem conseguir
pertendia flor com flores,
não se reputa infeliz.
Inda não vistes de luzes
tal tropel? nem de jesmim
tal fragrância? pois são raios
dos meus passados Abris.
Nada lembreis de Floralva,
que eu não passo por aí,
e esse cheiro, que vos cheiram
bem o podeis admitir.
Não há, que pôr-me de acordo
de entrar cá no meu jardim,
em que vós mo defendais,
não vos hei de deixar vir.
Por que aqui a colher flores
entra só, quem é feliz
e com ele me contento,
e nada mais do Brasil.