Quer-me mal esta cidade
pela verdade,
Não há, quem me fale, ou veja
de inveja,
E se alguém me mostra amor
é temor.
De maneira, meu Senhor,
que me hão de levar a palma
meus três inimigos d’alma
Verdade, Inveja, e Temor.
Oh quem soubera as mentiras
do Milimbiras,
Fora aqui senhor do bolo
como tolo,
E feito tolo, e velhaco
fora um caco.
Meteria assim no saco
Servindo, andando e correndo
as ligas, que vão fazendo
Milimbiras, Tolo, e Caco.
Tirara cinzas tiranas
das bananas,
Outro se os meus dez réis
de pastéis,
E porque isento não fosse
até do doce.
Teria assim, com que almoce
o meu amancebamento,
pois lhe basta por sustento
Bananas, Pastéis, e Doce.
Prendas, que a empenhar obrigo
pelo amigo,
Dobrar-lhe eu o valor
e primor,
Cobrando em dous bodegões
os tostões.
E seus donos asneirões
ao desfazer da moeda
perdem da mesma assentada
Amigo, Primor, Tostões.
Ao jimbo, que se lhe conta
boa conta,
E já por amigo vejo
sem ter pejo,
Pois lhe tira de corrida
a medida.
Mas verdadeira, ou mentida
a conta ajustada vem,
sendo um homem, que não tem,
Conta, Pejo, nem Medida.
Dever-me-ão camaradas
mil passadas,
E o triste do companheiro
o dinheiro,
E à conta das minhas brasas
as casas.
Assim lhe empatara as vazas,
pois o mesmo, que eu devia,
por força me deveria
Passadas, Dinheiro, e Casas.