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1636–1696

PRECEITO 8

Gregório de Matos Guerra

As culpas, que me dão nele, são, que em tudo o que digo, me aparto do verdadeiro com ânimo fementido.

Muito mais é, do que falo, mas é grande barbarismo, quererem, que pague a albarda, o que comete o burrinho.

Se por minha desventura estou cheia de percitos, como querem, que haja em mim fé, verdade, ou falar liso?

Se como atrás declarei, se oudera cobro nisto, a verdade aparecera cruzando os braços comigo.

Mas como dos tribunais proveito nenhum se há visto, a mentira está na terra, a verdade vai fugindo.

O certo é, que os mais deles têm por gala, e por capricho não abrir a boca nunca sem mentir de fito a fito.

Deixar quero os pataratas, e tornando a meu caminho, quem quiser mentir o faça, que me não toca impedi-lo.

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