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1636–1696

PRECEITO 6

Gregório de Matos Guerra

Entremos pelos devotos do nefando Deus Cupido, que também esta semente não deixa lugar vazio.

Não posso dizer, quais são por seu número infinito, mas só digo, que são mais do que as formigas, que crio.

Seja solteiro, ou casado, é questão, é já sabido não estar sem ter borracha seja do bom, ou mau vinho.

Em chegando a embebedar-se de sorte perde os sentidos. que deixa a mulher em couros, e traz os filhos famintos:

Mas a sua concubina há de andar como um palmito, para cujo efeito empenham as botas com seus atilhos.

Elas por não se ocuparem com costuras, nem com bilros, antes de chegar aos doze vendem o signo de Virgo.

Ouço dizer vulgarmente (não sei, é certo este dito) que fazem pouco reparo em ser caro, ou baratinho.

O que sei é, que em magotes de duas, três, quatro, cinco as vejo todas as noites sair de seus esconderijos

E como há tal abundância desta fruita no meu sítio, para ver se há, quem as compre, dão pelas ruas mil giros.

E é para sentir, o quanto se dá Deus por ofendido não só por este pecado, mas pelos seus conjuntivos:

como são cantigas torpes, bailes, e toques lascivos, venturas, e fervedouros, pau de forca, e pucarinhos.

Quero entregar ao silêncio outros excessos malditos, como do Pai carumbá, Ambrósio, e outros pretinhos.

Com os quais estas formosas vão fazer infames brincos governados por aqueles, que as trazem num cabrestinho.

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