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1636–1696

PRECEITO 2

Gregório de Matos Guerra

No que toca aos juramentos, de mim para mim me admiro por ver a facilidade, com que os vão dar juízo.

Ou porque ganham dinheiro, por vingança, ou pelo amigo, e sempre juram conformes, sem discreparem do artigo.

Dizem, que falam verdade, mas eu pelo que imagino, nenhum, creio, que a conhece, nem sabe seus aforismos.

Até nos confessionários se justificam mentindo com pretextos enganosos, e com rodeios fingidos.

Também aqueles, a quem dão cargos, e dão ofícios, suponho, que juram falso por consequências, que hei visto.

Prometem guardar direito, mas nenhum segue este fio, e por seus rodeios tortos são confusos labirintos.

Honras, vidas, e fazendas vejo perder de contino, por terem como em viveiro estes falsários metidos.

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PRECEITO 2 · Gregório de Matos Guerra · Poetry Cove