Se a gostos tiras, Clóris, uma vida,
Que de amor teve o logro por ventura,
Por que trocas em sombra a formosura,
Que foi no mundo rodo tão valida?
Glória, que passa tanto de corrida,
Onde apenas se vê breve doçura,
Acredita o melindre da brandura
Nos extremos, que a deixam suspendida.
Não desmaies, meus olhos, pois consiste
O gosto em suspender feros desmaios,
Que dão tormento, a quem amante assiste.
São da morte cruel tristes ensaios,
E o coração, que adore, não resiste,
Sendo d’alma em rigor funestos raios.