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1636–1696

NASCE A ROSA, E NASCE A FLOR.

Gregório de Matos Guerra

Para que nasceste, rosa, se tão depressa acabaste, nasces na manhã triunfante, morres despojo de tarde.

Nasce a rosa, e nasce a flor de tanta cor matizada, quando se vê desmaiada triste sem vida, e sem cor:

tudo quanto no candor se ostentava majestosa, então menos venturosa perde toda a louçania,

e para brilhar um dia Para que nasceste Rosa? Se por nascer tão subida perde a rosa a perfeição,

enquanto a rosa em botão mais se lhe dilata a vida: nessa pompa já perdida, com que, rosa, te enfeitaste,

vendo o pouco que duraste, da vida foste um nonada, nem foste rosa, nem nada, Se tão depressa acabaste.

Se na manhã encarnada te julgas perfeita rosa, olha o lustre de formosa como o perdes desmaiada:

quem te viu na madrugada entre as mais flores reinante, que na tarde não se espante, quando murcha assim te vê!

dize, rosa, para que Nasces de manhã triunfante. Se como rosa nasceste com tão galhardo valor,

como rosa, e como flor a pompa, e garbo perdeste: se tanto te engrandeceste, como te mostras cobarde,

pois quando fazendo alarde de te ver tão majestosa, por ver-te na manhã rosa, Morres despojo de tarde.

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