Para que nasceste, rosa,
se tão depressa acabaste,
nasces na manhã triunfante,
morres despojo de tarde.
Nasce a rosa, e nasce a flor
de tanta cor matizada,
quando se vê desmaiada
triste sem vida, e sem cor:
tudo quanto no candor
se ostentava majestosa,
então menos venturosa
perde toda a louçania,
e para brilhar um dia
Para que nasceste Rosa?
Se por nascer tão subida
perde a rosa a perfeição,
enquanto a rosa em botão
mais se lhe dilata a vida:
nessa pompa já perdida,
com que, rosa, te enfeitaste,
vendo o pouco que duraste,
da vida foste um nonada,
nem foste rosa, nem nada,
Se tão depressa acabaste.
Se na manhã encarnada
te julgas perfeita rosa,
olha o lustre de formosa
como o perdes desmaiada:
quem te viu na madrugada
entre as mais flores reinante,
que na tarde não se espante,
quando murcha assim te vê!
dize, rosa, para que
Nasces de manhã triunfante.
Se como rosa nasceste
com tão galhardo valor,
como rosa, e como flor
a pompa, e garbo perdeste:
se tanto te engrandeceste,
como te mostras cobarde,
pois quando fazendo alarde
de te ver tão majestosa,
por ver-te na manhã rosa,
Morres despojo de tarde.