Oh que cansado trago o sofrimento,
E que injusta pensão de humana vida,
Que dando-me o tormento sem medida,
Me encurta o desafogo de um contento!
Nasceu para oficina do tormento
Minha alma a seus desgostos tão unida,
Que por manter-se em posse de afligida,
Me concede os pesares de alimento.
Em mim não são as lágrimas bastantes
contra incêndios, que ardentes, me maltratam,
Nem estes contra aqueles são possantes.
Contrários contra mim em paz se tratam,
E estão em ódio meu tão conspirantes,
Que só por me matarem, não me matam.