A Cabra de Cajaíba
serva do Padre Simão
é grandíssimo putão,
e no virgo inda se estriba:
virgo abaixo, virgo à riba
já de escutá-la me encalmo,
pois enquanto reza um salmo
o Padre entre os arvoredos,
sai com virgo de três dedos,
e entra com virgo de palmo.
A Cabra é puta cambaia,
e em sentindo o membro a vela
por fingir, que inda é donzela,
quando fode, se desmaia:
faminta discorre a praia,
que chamamos o Apicu,
e topando um negro nu,
o visita como amigo
ela a ele a par do embigo,
ele a ela a par do cu.
Sobre toda esta fodenga
de membros como pivetes,
se lhe fala um Branco em fretes
co’a donzelice o derrenga:
e depois que a muita arenga
a tem convencido já,
lhe responde, que ela irá,
e indo, ela manda dizer,
que para o Padre beber
pisando está carimá.
Maldito seja tal caldo,
e tal mingau de Aratus,
que boto a Deus, e a Jesu,
que de ouvi-lo só me escaldo;
tanta pimenta rescaldo,
tanta manipuba impressa
no vão da tal boa peça,
na tal puta Jacutinga
faz, com que sobre a catinga
a manipuba me fessa.
Ela a manipuba fede,
ela fede a carimá
e me fede a Cabra já
sobretudo, porque pede:
pede, e diz, que o que lhe impede
fazer as suas sortidas,
são duas fraldas cosidas,
e um cabeção para a praia,
e sempre pede uma saia
para fazer as saídas.
Serve a negros de investir
com tamanho pé-de-banco,
e quer a Cabra, que um Branco
sirva o dar-lhe de vestir:
Para o puto que rustir
tal concerto, e tal partido,
que eu sem ter leso o sentido
não posso ser tão sendeiro
que despenda o meu dinheiro
por um fedor tão fodido.