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1636–1696

COMO A NÃO PODE DE NENHUMA SORTE ALCANÇAR À DESCOMPÕE EM DÉCIMAS.

Gregório de Matos Guerra

A Cabra de Cajaíba serva do Padre Simão é grandíssimo putão, e no virgo inda se estriba:

virgo abaixo, virgo à riba já de escutá-la me encalmo, pois enquanto reza um salmo o Padre entre os arvoredos,

sai com virgo de três dedos, e entra com virgo de palmo. A Cabra é puta cambaia, e em sentindo o membro a vela

por fingir, que inda é donzela, quando fode, se desmaia: faminta discorre a praia, que chamamos o Apicu,

e topando um negro nu, o visita como amigo ela a ele a par do embigo, ele a ela a par do cu.

Sobre toda esta fodenga de membros como pivetes, se lhe fala um Branco em fretes co’a donzelice o derrenga:

e depois que a muita arenga a tem convencido já, lhe responde, que ela irá, e indo, ela manda dizer,

que para o Padre beber pisando está carimá. Maldito seja tal caldo, e tal mingau de Aratus,

que boto a Deus, e a Jesu, que de ouvi-lo só me escaldo; tanta pimenta rescaldo, tanta manipuba impressa

no vão da tal boa peça, na tal puta Jacutinga faz, com que sobre a catinga a manipuba me fessa.

Ela a manipuba fede, ela fede a carimá e me fede a Cabra já sobretudo, porque pede:

pede, e diz, que o que lhe impede fazer as suas sortidas, são duas fraldas cosidas, e um cabeção para a praia,

e sempre pede uma saia para fazer as saídas. Serve a negros de investir com tamanho pé-de-banco,

e quer a Cabra, que um Branco sirva o dar-lhe de vestir: Para o puto que rustir tal concerto, e tal partido,

que eu sem ter leso o sentido não posso ser tão sendeiro que despenda o meu dinheiro por um fedor tão fodido.

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