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1636–1696

AO MESMO CAPITÃO SENDO ACHADO COM UMA GROCISSIMA NEGRA.

Gregório de Matos Guerra

Ontem, senhor Capitão, vos vimos deitar a prancha, embarcar-vos numa lancha de gentil navegação:

a lancha era um galeão, que joga trinta por banda, grande proa, alta varanda, tão grande popa, que dar

podia o cu a beijar a maior urca de Holanda. Era tão azevichada, tão luzente, e tão flamante,

que eu cri, que naquele instante, saiu do porto breada: estava tão estancada que se escusava outra frágua

e assim teve grande mágoa da lancha por ver, que quando a estáveis calafetando então fazia mais água.

Vós logo destes à bomba com tal pressa, e tal afinco, que a pusestes como um brinco mais lisa, que uma pitomba:

como a lancha era mazomba, jogava tanto de quilha, que tive por maravilha, não comê-la o mar salgado,

mas vós tínheis, o cuidado, de lhe ir metendo a cavilha Desde então toda esta terra vos fez por aclamação

Capitão de guarnição não só, mas de mar, e guerra: eu sei, que o Povo não erra, nem nisso vos faz mercê,

porque sois soldado, que podeis capitanear as charruas d’além-mar, se são urcas de Guiné.

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