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1636–1696

AO MESMO ASSUMPTO.

Gregório de Matos Guerra

Antes de ser fabricada do mundo a máquina digna, já lá na mente divina, Senhora, estáveis formada:

com que sendo vós criada então, e depois nascida (como é cousa bem sabida) não podíeis, (se esta sois)

na culpa, que foi depois, nascer, Virgem, comprendida Entre os nascidos só vós por privilégio na vida

fostes, Senhora, nascida isenta da culpa atroz: mas se Deus (sabemos nós) que pode tudo, o que quer,

e vos chegou a eleger para Mãe sua tão alta, impureza, mancha, ou falta nunca em vós podia haver.

Louvem-vos os serafins, que nessa Glória vos vêem, e todo o mundo também por todos os fins dos fins:

Potestades, querubins, e enfim toda a criatura, que em louvar-vos mais se apura, confessem, como é razão,

que foi vossa conceição sacra, rara, limpa, e pura. O Céu para coroar-vos estrelas vos oferece,

o sol de luzes vos tece a gala, com que trajar-vos: a lua para calçar-vos dedica o seu arrebol,

e consagra o seu farol, porque veja o mundo todo, que brilham mais deste modo Céu, estrelas, lua, e sol.

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