Deus, que é vosso amigo d’alma, na palma se vos vem pôr, para mostrar, que de amor só vós levastes a palma.
Quando o livrinho perdestes lá na mata do botão, Antônio, grande aflição dentro em vossa alma tivestes:
e se da dor, que vencestes levastes vitória, e palma, bem se colhe, que em tal calma tal dor, e tal agonia
só aliviar-vos podia Deus, que é vosso amigo d’alma. Fez-vos Deus nessa ocasião visita bem lisonjeira,
e por não puxar cadeira, se sentou na vossa mão: foi larga a conversação, que o assunto foi de amor,
e porque um Frade menor, (sendo menor que o Menino) era de tal palma digno, Na palma se vos vem pôr.
Convosco o Menino então um jogo, Antônio, jogou: ele a palma vos ganhou, mas vós ganhastes por mão:
não jogou entonces não com o seu Servo o Senhor para mostrar, que o favor nasceu da ociosidade,
senão por mais majestade Para mostrar, que de amor. Mostrou, que em quererdes bem a um Deus, a quem imitastes,
não só premissas pagastes, mas os dízimos também: e por deixar em refém deste amor a mais pura alma,
pois todas deixais em calma, cantam os coros celestes, que porque a palma a Deus destes Só vos levastes a palma.
Cookies on Poetry Cove