Deus vos dê vida, Babu,
para tirar-me, a que tenho,
que segundo usais comigo,
eu vos não sinto outro jeito.
Todo o bairro sente o dano,
que ides ao bairro fazendo,
só eu não sinto o meu mal,
mas antes vo-lo agradeço.
Porque se a vossa beleza
é causa do meu tormento,
como hei de sentir meu mal,
se é tão forçoso, e tão belo.
Matai-me, embora, contanto
que saibam, que estou morrendo,
Babu, de vossa beleza,
porque entendam, que o mereço.
Quem perder por vós a vida,
e com tal merecimento,
que chegue a morrer por vós,
que mais quer, que merecê-lo?
É verdade, que lastimo,
aos que assim me vêem morrendo,
que a glória do padecer
não pode entendê-la um néscio.
Lástima os néscios me têm,
e poderão ter-me os néscios
de ver-me morrer inveja,
mais de que ver-me vivendo.
Viver, não pode, quem ama,
e eu olvidar-vos não quero,
se hei de morrer, quando amo,
e viver, quando aborreço.
Morra embora de adorar-vos,
que este é formoso tormento,
esta a suave agonia,
este o pesar lisonjeiro.
Dai-me licença, que escolha,
nestes dois contrários meios
antes morrer por amar-vos,
que viver de aborrecer-vos.