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1636–1696

A PEDITORIO DE HUMA DAMA QUE SE VIO DESPREZADA DE SEU AMANTE.

Gregório de Matos Guerra

Até aqui blasonou meu alvedrio, Albano, meu, de livre, e soberano, Vingou-se, ai de mim triste! Amor tirano, De quem padeço o duro senhorio.

E não só se vingou cruel, e impio Com sujeitar-me ao jugo desumano De bem querer, mas de querer-te, Albano, Onde é traição a fé, e amor desvio.

Se te perdi, não mais que por querer-te, Paga tão justa, quanto merecida, Pois com amar não soube merecer-te. De que serve uma vida aborrecida?

Morra, quem teve a culpa de perder-te: Perca, quem te perdeu, também a vida.

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