Skip to content
1636–1696

A HUMA DAMA QUE ESTAVA SANGRADA.

Gregório de Matos Guerra

Estava Clóris sangrada, e Fábio, que a visitava com ver, que sangrada estava lhe deu logo outra picada:

ela tão aliviada ficou, que se ergueu da cama, dizendo, bem haja a Dama de Adônis, cuja virtude,

quando me pica em saúde, eu me sangro, ele derrama. Como na vida acertou, onde habita a saudade,

extinta a má qualidade, a enfermidade acabou: nunca Galeno alcançou nas sangrias, que me aplica,

quanto o ferro prejudica, e eu curada com dieta já sei, que pica a lanceta, e somente sangra a pica.

Fábio me curou do mal, que na cama lhe informei, não com xarope de rei, mas com régio cordial:

se se curar cada qual somente com seu galante, há de sarar num instante, pois quando eu caio doentinha,

não hei mister mais meizinha, que a meu Mano se levante.

Cookies on Poetry Cove

We use cookies to remember your language preference and — only with your consent — to learn how Poetry Cove is used. You can change your mind any time.
A HUMA DAMA QUE ESTAVA SANGRADA. · Gregório de Matos Guerra · Poetry Cove