Tomas a Lira, Orfeu divino, ta,
A lira larga de vencido, que
Canoros pasmos te prevejo, se
Cadências deste Apolo ouviras cá.
Vivas as pedras nessas brenhas lá
Mover fizeste, mas que é nada vê:
porque este Apolo em contrapondo o ré,
Deixa em teu canto dissonante o fá.
Bem podes, Orfeu, já por nada dar
A Lira, que nos astros se te pôs
Porque não tinha entre os dous Pólos par.
Pois o Silva Arião da nossa foz
Dessas sereias músicas do mar
Suspende os cantos, e emudece a voz.