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1811–1882

XXXV

Gonçalves de Magalhães

Experiência! Médico tardio, Tua voz útil fora, se mais cedo Em nossa alma soasse! De tropeço em tropeço vai-se a vida,

Como o rio entre seixos se despenha; Nada o curso lhe tolhe. Das paixões o marulho estrepitoso, Como o som da cascata caudalosa,

Cobre, abafa teu eco. Em jogo pueril, vendando os olhos, O infante, na planice, embalde ensaia Da estrada andar em meio.

Ângulos forma; alfim se esbarra a um tronco; Assim andamos nós olhivendados Pela estrada da vida! Cai-nos a venda do barranco às bordas,

Quando nas suas lúbricas crateras Já nossos pés deslizam. Vem a velhice, que melhor te escuta, Refletimos então; porém que importa!

O tempo é já passado! Do que serve ao cadáver o remédio? Um mestre ao moribundo? um guia àquele, Que marcha ao cemitério?

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