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1811–1882

XXX

Gonçalves de Magalhães

Bem quisera, oh bela virgem, Hoje extrair de meu peito Algum suave perfume, Em sinal do meu respeito.

Quisera na minha lira Cadenciar algum hino, Com que louvasse os encantos Desse teu rosto divino.

Mas temo, temo que o peito, De gemer já fatigado, Em vez de cantar, exale Um suspiro magoado.

Ah! temo, temo, acredita, Que a minha fúnebre lira, Em vez de entoar um hino, Só triste nênia desfira.

Ah! tu cuidas, bela virgem, Que é feliz todo o vivente? Inda estás no albor da vida, Tens uma alma inda inocente.

Não; tu me vês peregrino, Errando de terra em terra: Mas, oh virgem, tu não sabes Que dor o meu peito encerra.

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XXX · Gonçalves de Magalhães · Poetry Cove