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1811–1882

XIV

Gonçalves de Magalhães

Triste sou como o salgueiro Solitário junto ao lago, Que depois da tempestade Mostra dos raios o estrago.

De dia e noite sozinho Causa horror ao caminhante, Que nem mesmo à sombra sua Quer pousar um só instante.

Fatal lei da natureza Secou minha alma e meu rosto; Profundo abismo é meu peito De amargura e de desgosto.

À ventura tão sonhada, Com que outrora me iludia, Adeus disse, o derradeiro, Té seu nome me angustia.

Do mundo já nada espero, Nem sei por que inda vivo! Só a esperança da morte Me causa algum lenitivo.

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XIV · Gonçalves de Magalhães · Poetry Cove