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1811–1882

VII

Gonçalves de Magalhães

Amigo, eu parto, e deixo-te saudoso. Pois que sempre tua alma bem formada Minhas vozes ouviu, vozes sinceras; Pois que sempre os conselhos da experiência

Com prazer escutaste, Inda que às vezes duros; No momento do adeus recebe, atende Esta, de amor, não lisonjeira prova.

É qual sereno rio a mocidade, Que as imagens retrata, e não conhece O bem, e o mal, e as ilusões do mundo: É como verde, flácida vergôntea,

Que a forma toma que o cultor lhe imprime, E boa, ou má, não mais depois se muda. Quem, como tu, da Pátria longe vive, Longe dos paternais, úteis ditames,

Assaz tem que lutar, se à glória aspira. Filósofos não faltam que te instruam; Mas da vida, nas páginas de um livro, Não se aprende a ciência.

Estuda, sim estuda, mas pratica Dignas ações de ti; e eu te asseguro, Pois que a Natura te protege, e inspira, Qu’inda um dia serás brilhante estrela

Entre os astros que a Pátria nossa adornam. A Deus praza que a Pátria não iludas, E os votos de teus pais, e dos amigos. A todo o instante que este livro abrires,

Lendo estes versos, dize: hei um amigo.

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