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1866–1918

SAI... AZAR

Emílio Nunes Correia de Meneses

Seis horas. Estação da Leopoldina. Tomo o trem. Mal me abanco, uma velhota, De setenta anos, fala, sopra, arrota, Numa desenvoltura de menina.

Quero ler. A carcaça, de voz fina, Tanto fala e me diz tanta lorota, Que, na raiva, o jornal se me amarrota E ainda o raio da velha me bolina.

Quero fugir. A peste me segura. Por pouco mais me tomo um assassino. Sinto que passa um vento de loucura. E julgo ver que, em meio ao desatino,

Eu era da polícia a atroz figura, E a velha era a figura do Aurelino.

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