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1866–1918

O. D. E.

Emílio Nunes Correia de Meneses

Este é o ranzinza-mor, porém no bom sentido. Monta guarda à pureza e à precisão do idioma. É o espectro do imbecil, o horror do presumido; Contra ele a arraia miúda o ódio que tem não doma.

Geninhos da Garnier, geniões de ar sucumbido. Poetinhas de salão, poetarrões de redoma Que deturpam a língua, ai deles! é sabido: O cacete é aforismo e a cacetada é axioma.

Mas este foge à lei (que aliás é conceituosa) De que a crítica faz só aquele que, perverso, De produzir, o orgulho e a delícia não goza. De pena o bico atroz, no vernáculo, imerso,

Se a sabe esmerilhar, sabe polir a prosa, Se o sabe criticar, sabe compor o verso.

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