Triste alegria a da convalescença!
Dessa alegria os poetas falam tanto,
Que quem os lê fica a pedir a doença,
Prenúncio triste desse alegre encanto.
Eu, somente, não vejo o que me vença
Este mole. este insípido quebranto,
Sem uma só emoção vívida, intensa.
Sem nada que me cause ódio ou espanto.
A própria guerra que conflagra o mundo,
Não me sacode mais na voz de um hino
Que eu estava a compor grave e profundo.
Sinto que estou no vácuo. Até imagino,
Vendo-me assim vazio, oco e infecundo,
Que estou dentro do crânio do Aurelino.