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1866–1918

CONVALESCENTE

Emílio Nunes Correia de Meneses

Triste alegria a da convalescença! Dessa alegria os poetas falam tanto, Que quem os lê fica a pedir a doença, Prenúncio triste desse alegre encanto.

Eu, somente, não vejo o que me vença Este mole. este insípido quebranto, Sem uma só emoção vívida, intensa. Sem nada que me cause ódio ou espanto.

A própria guerra que conflagra o mundo, Não me sacode mais na voz de um hino Que eu estava a compor grave e profundo. Sinto que estou no vácuo. Até imagino,

Vendo-me assim vazio, oco e infecundo, Que estou dentro do crânio do Aurelino.

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