“Goldregen”, “Romã” e “Pinheiro”,
“Vitória-Régia”, “Helianto”, “Hibisco”,
Flora a que eu dei minha emoção,
Aos pés de atiro, audaz obreiro,
Combusta, seca, feita em cisco,
Ao quente sol do teu “Verão”.
Da “Marcha Fúnebre” ao som morto
E à morta luz de “Olhos Funéreos”,
A que eu entoei meu “Cantochão”,
Melhor me fora achar conforto,
Longe do horror dos cemitérios,
Ao quente sol do teu “Verão”.
Aos “Três olhares de Maria”
(Ai! quem me dera em tais olhares,
Ter o supremo, amplo clarão
Que do teu estro se irradia!)
Quisera orar, erguendo altares,
Ao quente sol do teu “Verão”.
Da minha “Nau Abandonada”,
Na mesma praia em que nasceste,
Que a proa e a popa ardendo vão
À luz de cada estrofe e a cada
Verso em que a rima áurea acendeste
Ao quente sol do teu “Verão”.
“Nau salvadora” em que o milagre
A Pedro fez, piedoso, o Cristo,
Dando-lhe o manto em salvação,
Quero que nela se consagre
Em rito à luz, todo o imprevisto
Do quente sol do teu “Verão”.
Poemas, estrofes. versos, rimas.
Tudo que sinto, faço e penso,
Por morta ou viva inspiração,
Em nada vale às obras primas
Que edificaste ao brilho imenso
Do quente sol do teu “Verão.”