Sobre a Cruz, com tamanha crueldade,
Quis morrer o divino Redentor,
Para ao mundo ensinar o santo Amor
Da imortal, bendita Caridade.
— “Tenho sede” — Ele disse, mas quem lhe há de
O lenitivo dar consolador?...
Só de vinagre o fel, o amargor
Teve, naquela atroz ansiedade!
Enquanto os que passavam motejando,
Iam do Mártir divinal zombando
Com vis ápodos e insolente riso,
Ele ao bandido que a seu lado estava,
E contrito o perdão lhe suplicava,
Prometia o eterno Paraíso.