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1854–1932

VII

Delminda Silveira de Sousa

De Jacuacanga entanto, Florescia o Seminário; Era ali o santuário De tudo que é belo e santo.

Educação exemplar os jovens lá recebiam e co’a ciência bebiam as virtudes da moral.

Do Irmão Joaquim ao rogo D. Pedro o Imperador, nomeou um bom reitor ao seu Seminário logo.

Era este ilustre prelado o Bispo de Mariana, que nessa piedosa faina foi benquisto e respeitado.

Ele era o pai extremoso da mocidade cristã: mestre na doutrina sã do Nazareno piedoso.

Os jovens que se educaram sob sua direção, com a mais bela ilustração a Pátria depois honraram.

O Irmão Joaquim, com quanto, do Brasil em pontos vários muitos outros Seminários fundado houvesse, não tanto

como a este, os visitava, e enquanto permanecia aí, nalguma obra pia todo o seu tempo empregava.

Pouco na mesa, no Templo muito velava em oração: a qualquer como a irmão amando, com santo exemplo.

Co’a mais santa caridade os meninos ensinava, que junto a si empregava nestas casas de piedade.

Ele nunca murmurava, em todos supondo o bem, que a su’alma do Céu tem as virtudes que a adornavam.

Se naquelas vizinhanças festa rude se fazia para logo ali corria trocando em rezas as danças.

Armava altares ornados das lindas flores que achava; imagens que ali levava erguia em tronos doirados.

E o povo que então convida ao terço rezar, reverente, por estas rezas, contente, dos folguedos troca a lida!

No fim, ao povo falando com fervor d’alma piedosa, a uma vida virtuosa, ia a todos exortando.

E o seu discurso fervente, Porém simples e singelo, Produzia o efeito belo Do sermão mais eloquente!

Às vezes, por sobre o mar, em pequena embarcação, lá ia o santo varão pela costeira esmolar,

com seu fiel companheiro, do remo à bulha entoando canto que a brisa levando, ais céus subia fagueiro.

Se mor pobreza encontrava pelos lugares que via, com os pobres repartia o que consigo levava.

Tratava o pobre doente o moribundo assistia, e, nos transes d’agonia, levava o padre assistente.

As tempestades afronta, (que elas nunca o embaraçavam nem das vagas que elevava seu coração se amedronta),

em canoa pequenina o lugar mais perigoso ele passa, ao Deus bondoso entregue, e à Virgem Divina.

E o povo à praia afluía para ouvir seus cantos lindos, os seus louvores infindos à doce Virgem Maria.

E do que o povo lhe dava, ele, de volta, ao reitor naquele santo fervor, mui satisfeito entregava.

Do seu viver abençoado, Um documento, p’ra glória, Deixa, por grata memória, De Mariana o Bispo honrado,

Que admirando a beleza Daquela alma tão nobre Pequeno se acha, o pobre, Ante tão santa grandeza!

Entanto o varão piedoso sente aumentar-se o seu mal, e prevê um fim fatal ao seu viver laborioso.

Aos padres quer entregar o seu seminário, e fez projeto de inda uma vez para Lisboa embarcar.

Porém o projeto muda; a Roma então se dirige; mas a moléstia o aflige, a vontade não lhe ajuda.

De voltar à pátria teve, P’ra morrer junto aos que ama; porém Deus a si o chama à Pátria dos Céus, mais breve.

Em Marselha se finou alfim o homem piedoso que um tesouro precioso de virtudes nos legou.

A terra que o viu nascer recordando o nome seu, roga ao justo que, do Céu, não deixe de o proteger!

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