A Cruz de enorme peso que sustenta
Sobre os feridos ombros, o tortura;
E segue pela rua da amargura,
Levando na alma a dor que o desalenta.
Dos algozes a fúria mais aumenta,
Vendo-o, exausto, cair na terra dura,
Pendida a fronte de ideal brancura,
Turvos os olhos de onde a luz se ausenta.
Em blasfêmias irrompe a turba irada.
Enquanto à terra vil, ensanguentada
Do precioso Sangue redentor,
Jesus, unindo os lábios docemente,
Da Caridade a divinal semente
Deixa, num beijo de piedoso amor!